«Tenho a imagem gravada e não encontro justificação. Queria apenas perceber. Quando naquele dia, já tão distante para ti, olhaste para o sítio onde sabias que me irias encontrar... que procuravas? Foi apenas o derradeiro e final teste? Sabes… durante muito tempo, lembrei-me de ti ali. Naquela imagem que me parecia tão perfeita. E que me fazia acreditar e dar passos
sem resposta.
ahora y siempre.
«Por vezes, somos absolutamente estúpidos. Principalmente, quando nos entregamos, ou entregamos a alma, a perguntas que não devemos fazer. E que se perpetuam no tempo. Como se este não fosse já demasiado pesado e precisasse de companhias absurdas. Mas deixamo-nos levar por aquele palpitar que nos quer fazer acreditar. E tantas vezes perguntamos: e se um dia fosse diferente? Se por um instante algo mudasse as cartas na mesa? Será a diferença que esperamos?
Mas nunca se pôs esse cenário. Porque a mudança nunca foi sequer equacionada. Iria haver sempre uma solução, porque o passado estava lá. Com o tempo e a cruz que carrega. Portanto, a pergunta era estúpida. E isso devia ser uma realidade incontornável. Tal como o tempo. Que voou. Também ele estupidamente preso. Afinal, o principezinho também pode mentir. Ele sempre teve tantas virtudes como defeitos. A ideia contorce o espírito mas é real. E o sorriso e o brilho nos olhos traziam essas virtudes e esses defeitos. Que ficaram presos a uma pergunta absurdamente estúpida. Que até no passado terá tido a resposta errada. O caminho não pode ter nem mais pedras, nem mais estradas. Resta saber quanto tempo irei demorar a renascer.» Malae


